Doces tradicionais da Páscoa: O bolo, as filhós e os biscoitosSobretudo nestes dois dias santos, as mulheres não punham roupa branca a secar, pois corria
a superstição de que poderiam aparecer manchas de sangue sobre a alvura da roupa.
Geralmente eram dois ou três “garotos” que “tocavam as matráculas”, em três momentos certos da tarde ou da manhã, perfazendo portanto três voltas à aldeia cada dia santo. Por exemplo, na Quinta-Feira Santa, de tarde, davam uma volta, a tocar as matráculas, às 15 horas, outra volta às 15,30 e a última volta às 16 horas. Seguia-se de imediato a Via Sacra.
Terminado o período da Quaresma, chegava o alegre Domingo de Páscoa, dia festivo em que o padre, acompanhado por um paroquiano, percorria as ruas para visitar as casas, ou seja, para “tirar o folar”. O padre dava a cruz a beijar a todos os presentes, geralmente dispostos à volta da mesa da sala, enquanto espalhava água benta e dizia: “Cristo ressuscitou! Aleluia, Aleluia!”. Em cima da mesa era costume colocar num prato, como oferta, algum dinheiro, de acordo com as posses de cada um. Nas casas mais abastadas, acrescentavam-se doces da Páscoa e vinho.
Ao almoço era frequente o cabrito ou o borrego, além dos típicos doces da quadra pascal : o “bolo” (o folar), as filhós e os biscoitos (ver foto). Em casas de posses poderia confeccionar-se o pão-de-ló.
(Texto e fotos de Iracema Azevedo Leitão)











